São necessários 70 mil trabalhadores na construção em 2018

Setor da Construção
Par Inês ALMEIDA Il y a 4 Mois
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Construção em Portugal carece de mão-de-obra devido aos baixos salários que se praticam no setor

 

O ritmo do crescimento do setor da construção em Portugal não dá sinais de abrandar, muito pelo contrário. Na verdade, estamos perante a consolidação da recuperação que se tem feito sentir no setor. Este fechou 2017 a crescer 5,9% e as previsões para este ano apontam para um crescimento de 4,5%. Em particular, no segmento dos edifícios residenciais, o que mais sofreu com a crise, espera-se um crescimento de 7% em 2018.

 

De acordo com Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), 2018 vai ser um ano de consolidação. No entanto, Ricardo Gomes, líder da Federação da Construção (FEPICOP), salienta a falta de mão-de-obra no setor, afirmando que este precisa, à data, de cerca de 60 a 70 mil novos trabalhadores. Em zonas com mais turistas, como o Algarve, já se verifica “uma grave incapacidade de resposta” devido à falta de trabalhadores, sendo que “muitos se fixaram no turismo”.

 

O líder da FEPICOP considera que o setor não é apelativo para os jovens. “Sempre custa menos servir às mesas, mesmo que o salário seja menor”, explica. Destaca ainda as diferenças salariais no setor quando comparado ao norte da Europa, em países onde a construção também regista um forte dinamismo, tendo recebido muitos dos 240 mil operários portugueses que emigraram nos últimos sete anos.

 

Reis Campos recorda que a construção perdeu 37 mil empresas e 230 mil trabalhadores no seguimento da crise financeira. “Antes de mais temos de os trazer de volta. Formar um trabalhador especializado não é fácil e é provável que fique mais barato ir buscá-los do que formar de novo. É mais fácil engordar do que emagrecer, por isso, é preciso aliciá-los a regressar”, explica. O responsável da CPCI acredita que os preços das obras vão sofrer alterações, com a nova dinâmica de mercado e a entrada em vigor e a entrada do novo Código dos Contratos Públicos.

 

O presidente do Sindicato da Construção, Albano Ribeiro, considera que a solução para a falta de mão-de-obra na construção é simples: tudo se resume ao pagamento de salários que compensem o regresso. O responsável pede aos empresários que comecem a valorizar os trabalhadores que contribuem para o crescimento do setor e da economia portuguesa. “Claro que um operário que ganha 2.500 euros lá fora dificilmente estará disponível para voltar para ganhar 600 euros. Mas, se levarem mil ou mil e duzentos euros para casa, já lhes compensa vir para Portugal e é isso que os empresários têm de entender”, afirma.

 

 

Fonte: Dinheiro Vivo